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A Ashinaga Brasil entrevistou Elisa Capololo, jovem líder em destaque na comunidade tecnológica em Angola e especialista local da Iniciativa Ashinaga África (IAA) no país. Elisa é graduada em Engenharia Informática pela Universidade de Luanda, com uma pós-graduação em Empreendedorismo em Software, e tem se destacado por sua atuação na promoção da inclusão feminina na área de tecnologia. Como fundadora das Women Techmakers (WTM) Luanda e líder do Google Developer Groups (GDG) Luanda, ela tem se dedicado a criar espaços de aprendizado e oportunidades para mulheres e jovens interessados em tecnologia.
A conversa aborda não só sua trajetória pessoal e profissional, mas também suas percepções sobre o crescimento do mercado de tecnologia da informação (TI) em Angola e na África Subsaariana, além de suas iniciativas para inspirar futuras gerações de mulheres na área, sendo uma oportunidade única para entender os desafios e as oportunidades desse setor e a importância da liderança feminina nesse contexto.
1. Para começar, poderia se apresentar e nos contar um pouco sobre sua trajetória até chegar aonde está hoje? O que a motivou a seguir essa área e quais foram os maiores desafios que você enfrentou no início?
Meu nome é Elisa Capololo, nasci e vivo em Angola. Sou graduada em Engenharia Informática e tenho uma pós-graduação em Empreendedorismo em Software pelo programa MEST Africa [em tradução livre, Escola de Tecnologia Empresarial Meltwater]. Minha trajetória começou na Buka App, uma startup de educação tecnológica onde trabalhei por cinco anos. Durante esse período, conheci muitas pessoas e isso me inseriu na comunidade tecnológica em crescimento em Luanda.
Por estar envolvida nesse ecossistema, tornei-me líder do GDG Luanda, em 2018, e fundei as WTM Luanda, uma comunidade voltada para incentivar a participação feminina na tecnologia. O que me motivou a seguir essa área foi uma série de TV que eu assistia na infância, onde uma jovem trabalhava com computadores. Isso despertou meu interesse. No ensino médio, com o incentivo da minha irmã mais velha, decidi seguir informática e logo me apaixonei pela programação. Desde então, minha trajetória tem sido repleta de aprendizados e histórias marcantes.
2. Como você enxerga o crescimento do mercado de tecnologia em Angola e na África Subsaariana? Quais são as principais oportunidades que você vê, especialmente para mulheres que desejam atuar nesse setor?

Em Angola, o setor de tecnologia cresceu muito nos últimos anos. Antes, as oportunidades eram limitadas e poucos conheciam as carreiras na área. Hoje, há um número crescente de profissionais de TI, e as empresas passaram a valorizar os talentos locais. Muitos jovens angolanos já são recrutados para atuar tanto em empresas nacionais quanto internacionais. O mesmo ocorre na África Subsaariana.
Como faço parte do GDG, tenho conexões com diversas comunidades tecnológicas no continente e percebo um avanço na adoção de tecnologia, além de um grande número de jovens aprendendo e trabalhando na área. Ainda há desafios, mas as mudanças são visíveis. Para as mulheres, há muitas oportunidades, mas precisamos nos dedicar, aprender e mostrar nosso valor. O número de profissionais femininas ainda é baixo, mas podemos mudar esse cenário. É essencial oferecer conhecimento, oportunidades e um ambiente onde as mulheres possam demonstrar suas habilidades. Assim, cada vez mais, poderão ser inseridas no setor.
3. Qual foi a experiência mais significativa e marcante da sua carreira até agora? Como ela contribuiu para o seu desenvolvimento profissional e pessoal?
É difícil destacar uma única experiência, porque acredito que todas as etapas da minha jornada foram fundamentais para o meu crescimento. Mas, sem dúvida, fazer parte da comunidade tecnológica em Angola foi um divisor de águas. Isso me permitiu criar uma rede de contatos, aprender novas ferramentas e me manter atualizada sobre o que está acontecendo no mundo da tecnologia.
4. Sabemos que a WTM tem contribuído de forma incrível para a inclusão de jovens meninas no mercado angolano e internacional. Em sua opinião, qual dos projetos da organização tem sido o carro-chefe no trabalho de vocês?
Um dos nossos projetos mais impactantes é a realização do Dia Internacional da Mulher. Esse é o maior evento que organizamos para celebrar esta data. Em Angola, reunimos mulheres e homens que estão realizando trabalhos relevantes na área de TI para compartilharem suas experiências e inspirarem a nova geração. Nosso objetivo é mostrar que construir uma carreira em tecnologia é possível, independentemente do gênero. É um evento que fortalece a comunidade e incentiva cada vez mais meninas a explorarem esse universo.

5. Como você vê o futuro da tecnologia no continente nos próximos anos? Quais áreas ou inovações tecnológicas você acredita que terão maior impacto no país?
Acredito que, nos próximos anos, a tecnologia será ainda mais integrada ao nosso cotidiano. A conectividade com a internet deve melhorar, ampliando o acesso a oportunidades. Também espero ver mais programas de alfabetização digital e soluções tecnológicas criadas por africanos para resolver problemas locais.
Uma área que terá grande impacto é o setor financeiro. Precisamos explorar mais as tecnologias desse campo, criando soluções para aumentar a segurança, agilizar transferências e melhorar a acessibilidade para a população.
6. Que conselho você daria para jovens mulheres que pretendem atuar neste mercado? Quais foram suas fontes de inspiração ao longo da sua carreira?
Meu conselho é: escolha uma carreira em TI que te interesse e tenha potencial de crescimento nos próximos cinco anos. Depois, foque em aprender o máximo possível. Comece pelo básico, avance para o intermediário e, depois, para o avançado. Isso leva tempo, então tenha paciência e construa seu caminho, passo a passo.
Além disso, participe de projetos, envolva-se em comunidades e conecte-se com pessoas que compartilham os mesmos interesses. A troca de conhecimento faz toda a diferença. Minhas inspirações sempre foram pessoas próximas: amigos que demonstraram dedicação e esforço, além de uma professora de programação que tive no primeiro ano da universidade. Essas pessoas tiveram um papel essencial na minha trajetória.
A trajetória de Elisa Capololo é um exemplo inspirador de como a determinação, o aprendizado contínuo e a paixão pela tecnologia podem transformar não apenas a vida de um indivíduo, mas também impactar positivamente a comunidade ao seu redor. Seu trabalho incansável na promoção da inclusão feminina na tecnologia, especialmente em Angola, é um reflexo do potencial que as mulheres têm de liderar e inovar no setor. O futuro da tecnologia está em constante transformação, e com iniciativas como a de Elisa, a próxima geração de mulheres líderes está mais forte do que nunca.
Não deixe de conhecer o podcast Roadmap 54, onde Elisa recebe convidados de vários países africanos para discutir pontos essenciais sobre empreendedorismo e inovação no continente. O conteúdo traz insights valiosos que se mostram como uma oportunidade imperdível para quem quer entender mais sobre as mudanças transformadoras que estão acontecendo no mercado africano. Vale a pena conferir!
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